Crise sanitária

da Revolta da Vacina à pandemia de COVID 19

  • Marina Gusmão de Mendonça Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) – Campus Osasco
Palavras-chave: COVID-19, pandemia, vacina obrigatória, Revolta da Vacina

Resumo

A atual pandemia de COVID-19 expôs alguns dos principais problemas enfrentados por diferentes países, bem como as contradições e fragilidades políticas e econômicas do mundo contemporâneo dominado pelo neoliberalismo. Nesse contexto, um dos aspectos mais graves é o negacionismo de governantes e setores sociais influentes que, muitas vezes, preconizam curas e drogas milagrosas, embora cientistas de todo o mundo sejam praticamente unânimes em informar que a vacina contra a COVID-19 é a única forma eficiente de controle da pandemia, e que a grande maioria da população precisa ser vacinada. No entanto, no Brasil, o presidente constantemente se declara contrário à vacinação, e não aceita a sua obrigatoriedade. Diante disso, partidos de oposição solicitaram um pronunciamento a respeito do Supremo Tribunal Federal (STF), que se declarou favorável à medida. Portanto, o quadro que se apresenta diante dos brasileiros é terrível e nos remete à Revolta da Vacina, ocorrida em novembro de 1904. Naquela ocasião, a população do Rio de Janeiro se levantou contra a tentativa do médico Oswaldo Cruz, então Diretor Geral de Saúde Pública, de implantar a vacinação obrigatória contra a varíola, doença que constituía verdadeiro flagelo para os cariocas. Em apenas uma semana, a cidade foi praticamente destruída e o presidente Rodrigues Alves enfrentou uma tentativa de golpe de Estado, numa rebelião desordenada, deflagrada a partir da divulgação do regulamento sobre a vacinação obrigatória. Dessa forma, lembrar o episódio de 1904, compreender suas motivações e analisar os interesses envolvidos mostra-se de suma atualidade, tendo em vista que um quadro semelhante parece se delinear diante de nossos olhos.

Biografia do Autor

Marina Gusmão de Mendonça, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) – Campus Osasco

Bacharel em História e em Direito pela Universidade de São Paulo (USP); Mestre e Doutora em História Econômica pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FLCH-USP); possui pós-Doutorado em Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia e Ciências da Universidade Estadual Paulista (UNESP) – campus de Marília; Professora Adjunta do Departamento de Relações Internacionais da Escola Paulista de Política, Economia e Negócios (EPPEN) da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) – Campus Osasco; Professora Colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Faculdade de Filosofia e Ciências da Universidade Estadual Paulista (FFC-UNESP) – campus de Marília (endereço eletrônico: marinamendonca@uol.com.br).

Publicado
2021-03-28